Ação frenética em um cenário recluso

Operação Invasão é um dos filmes mais frenéticos que já assisti. O ponto aqui é que não existe muito tempo para se respirar entre uma sequência de ação e outra, pois a partir do momento em que a carnificina começa a acontecer, são raros os momentos de tranquilidade, ou mais precisamente, de falsa tranquilidade. E esse é justamente o maior motivo desta obra ser tão eficaz.

A trama é simples, mas nem tanto. Rama é um membro novo da SWAT e foi designado para uma missão de alto risco em um prédio na periferia de Jacarta, isso não muito depois de saber que sua mulher está grávida. A missão consiste em: invadir o prédio da maneira mais silenciosa possível e terminar com a festa do chefão do crime local, Tama, que faz daquele lugar sua base de operações. Tudo corre bem nos primeiros andares, com a equipe de policiais conseguindo cumprir seu dever com a maior discrição. Porém, em certa altura a tal operação invasão é descoberta e aí o bicho começa a pegar. A equipe da SWAT se vê encurralada, pois ao mesmo tempo em que ainda falta muito para chegar até o andar onde Tama está, a saída do prédio se encontra relativamente distante. E a distância fica ainda maior por haver um marginal altamente habilidoso em artes marciais louco para retalhá-los em cada canto imaginável. Não demora para que nessa situação tudo fuja do controle dos policiais, fazendo com que a operação se torne uma insana luta pela sobrevivência.

Neste cenário, Rama, novato e preocupado em voltar inteiro para sua família que está em vias de aumentar, é o personagem que recebe mais atenção e, consequentemente, a maior parte das cenas de ação – não que os outros não tenham seus momentos, longe disso. Sua pretensão em sair vivo daquele lugar é o motor de sequências de luta memoráveis, onde não há preocupação alguma com a realidade e a violência rola solta sem censura alguma – e com tréguas raras.
Por falar em tréguas, além de raras, elas não são realmente tréguas, pois o clima de preocupação se mantém o tempo todo. Afinal, ali não é nada improvável que um grupo de pessoas insanas por sangue munidas de facões possa entrar correndo por uma porta a qualquer momento, ou que uma bala traiçoeira vinda de alguma janela qualquer possa dar o ar graça e terminar de vez com a vida de qualquer um dos personagens. E a chave para toda essa tensão tão bem construída está praticamente toda no ambiente em que a ação acorre, pois é um labirinto fétido e apertado, formado de portas e corredores que parecem não ter fim. O espaço para fugir é pouco, o espaço para lutar é pouco, tudo ocorre sem tempo para que os personagens pensem no que está acontecendo, é tudo reflexo, é muito instinto e pouca racionalidade.

E além de tudo isso, como cereja do bolo, lá pelas tantas do filme a história tem algumas surpresas agradáveis, se mostrando menos simplória do que parecia ser à primeira vista. Não que isso realmente importe, mas é como um algo a mais que vem para coroar o grande trabalho desenvolvido. 
Operação Invasão é, sem dúvidas, um dos grandes filmes de ação dos últimos tempos. Pelas suas características pode até se tornar cansativo para alguns, mas é justamente por estas que ele se difere de muito do que já foi trazido para as telas, e também por isso que é tão bom assim.
                                    
OPERAÇÃO INVASÃO (Serbuan maut, 2011)
Direção: Gareth Evans
Elenco: Iko Uwais, Doni Alamsyah, Ananda George, Yayan Ruhian, Ray Sahetapy





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