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 Bombástico, violento, crítico, por vezes doloroso e incomodativo.
O Padre Julian enfrenta opositores políticos, a própria igreja católica e organizações militares em prol de uma vida digna em um ambiente ignorado, calamitoso e extremamente violento.
Essa história conta a luta de um padre que mesmo doente e com pouco apoio, busca um sucessor nos confins da Amazônia, o padre Nicolás (Jérémie Renier), para continuar sua missão de proporcionar condições de vida apropriada aos moradores da favela de Villa Virgen na periferia de Buenos Aires, uma das primeiras medidas adotadas é a ocupação de construções abandonadas pelo poder público, tentando fazê-las úteis, com a crucial ajuda da assistente social Luciana (Martina Gusman).
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Entre estas construções abandonadas se encontra a carcaça do que seria o maior hospital da América Latina (o elefante branco), maior pano de fundo da trama, onde se encontra a sede da paróquia, as reuniões e maiores decisões que envolvem sempre o bem estar do povo.
Filmes que retratam miseráveis ambientes socioeconômicos e culturais na América Latina não são novidade, mas o amplo foco no envolvimento humano tornam esta película demasiadamente envolvente, mostrando o bem que qualquer um pode fazer independente de suas pequenas fraquezas e medos, características próprias de qualquer ser humano.
Além disso, paira um clima ousado de denúncia, onde a direção revela destemidamente o descaso do sistema e a necessidade de lutar contra tal atitude e como a marginalização da sociedade é fomentada pelos que se dizem “donos do poder” e se colocam no direito de determinar quem é a escória.
Salvas ao roteiro que faz predileção pelo ser humano errôneo, que precisa ajudar e ser ajudado, desde traficantes assassinos á crianças de colo, todos com o direito a qualidade de vida independente de suas escolhas, daí entra o fundamental papel de Darín, só a sua credibilidade é capaz de acessar tamanhas desigualdades.
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Inspirado em uma digna tragetória de vida e com a presença do quase onipresente astro argentino Ricardo Darín, vivendo o padre Júlian e demais elenco, não menos nobre, essa película capaz de arrancar suspiros de indignação e nós na garganta é uma grandessíssima obra onde o cinema brasileiro tem muito o que aprender e para discípulo nenhum de Tio Sam botar defeito.
Elefante Branco (Elefante Blanco, 2012).
Direção: Pablo Trapero.
Elenco: Ricardo Darín, Jérémie Renier, Martina Gusman.
Curiosidades: Uma homenagem ao Padre Carlos Mugica, conhecido como padre da favela, fundador do Movimento de Sacerdotes para o Terceiro Mundo (MSTMU). Seu compromisso custou-lhe a vida.



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