“A vagina da sua mãe é a tela. O pênis do seu pai é o pincel. Você, meu amigo, é arte.”
É sempre decepcionante quando um filme apresenta um argumento interessante, desenvolve-o de maneira satisfatória em um começo promissor, mas termina por se autossabotar em uma narrativa sem foco e desinteressante, culminando em uma obra que, ao final, consegue no máximo merecer o adjetivo de chata.
Pois, é isso que ocorre com É o Fim, filme que reúne um extenso grupo de atores populares interpretando eles mesmos em um filme que, antes de entreter e divertir seu público, preocupa-se em divertir os envolvidos em uma produção que parece mais uma desculpa para os nomes do elenco se reunirem e jogarem bobagens fora do que qualquer outra coisa. E não, isso não é um problema. Ao menos não sempre, já que o que de melhor o filme exibe, provém dessa reunião.
Na trama acompanhamos uma festa na mansão de James Franco, regada a muito sexo, maconha, bebedeira e conversa fiada entre os nomes que percorrem os extensos cômodos da residência. Mas, o que todos não esperavam era ver a diversão interrompida pelo fim do mundo. Isso mesmo: em meio à tremores de terra, nuvens de fumaça e criaturas monstruosas caminhando pelo planeta, o mundo começa a acabar e todos os astros e estrelas precisam lidar com isso e com a convivência, cada vez mais desastrosa, entre eles.
Mas, se ao mencionar os “astros e estrelas” no parágrafo anterior e ao me obrigar a escrever todos os nomes do elenco no topo do texto, posso sugerir que todos eles participam desse “fim do mundo”, esqueça isso. O grande equívoco de É o Fim é descartar grande parte de seu elenco logo após os primeiros minutos de produção, quando o fim do mundo começa e quase toda a festa morre em um buraco gigantesco que se abre no chão. Até ali, o longa dirigido por Evan Goldberg e Seth Rogen se apresentava como uma das mais insanas e divertidas comédias dos últimos anos, apresentando diversas figuras famosas brincando com os estereótipos de seus personagens e de suas figuras públicas, subvertendo-os em caracterizações tão absurdas e divertidas que tornam difícil segurar o riso – ver Michael Cera, ensandecido, tarado (o tapa na bunda da Rihanna é algo épico) e chapado com quilos de cocaína, em contraste com o tipo geek e retraído visto à exaustão em seus filmes, é algo que por si só vale a sessão.
É aí que, ao descartar dezenas de personagens (ou atores, ou atores interpretando personagens de si mesmos, se preferir) com potencial e promover a protagonistas os atores mais sem graça de sua produção, o filme se lança ao fracasso artístico.
Assim, ao invés de continuarmos acompanhando Michael Cera e as situações que sua personalidade poderia dar inicio ou Christopher Mintz-Plasse preocupado em não se drogar – em uma festa onde todos estão doidões - assistimos Seth Rogen, James Franco e Danny McBrideem uma nova aventura de Segurando as Pontas – algo que se torna literal quando, no segundo ato da história, os atores gravam uma versão “suecada” da continuação daquele filme. E, ainda que o confronto de “gozadas” entre Franco e McBride ou o mal entendido sobre o estupro de Emma Watson rendam algumas gargalhadas discretas, é difícil suportar Rogen, possivelmente o comediante mais sem graça que Hollywood já lançou.
E quando digo sem graça, não é implicância, já que além de não conseguir fazer rir com humor físico ou verbal, o ator ainda revela a irritante mania de rir de si mesmo e/ou comentar a piada que acabou de fazer, transformando-se naquele chato da turma que, não percebendo apenas incomodar com suas tiradas, se elege o “palhaço da galera”. Rogen, alias, consegue ser tão fraco que, não raramente sabota as piadas de seus companheiros, demonstrando um terrível timing cômico.
Se tornando mais e mais sem pé, nem cabeça (ou braços, costas, pernas ombros, pescoço e qualquer parte do corpo humano) à medida que sua trama avança, recheando-se de referencias a filmes de terror e aos filmes protagonizados por seu elenco, É o Fim se encerra como uma produção que parece ter divertido seus atores à beça, mas que em momento algum consegue transferir os risos desses ao seu espectador. E quando consegue, ainda o faz por meio de outros que não seus protagonistas, como a já citada participação de Cera e claro, o surpreendente momento em queChanning Tatum aparece em cena.
Talvez, se tivesse investido nos atores certos para protagonizá-lo, É o Fim fosse melhor. Do jeito que foi realizado, no entanto, “é o fim” da picada – eu sei, a piada foi ruim, mas talvez seja um efeito colateral do péssimo humor do filme.
É o Fim (This is the End, 2013)
Direção: Evan Goldberg, Seth Rogen
Elenco: Seth Rogen, James Franco, Jonah Hill, Craig Robinson, Jay Baruchel, Emma Watson, Michael Cera, Danny McBride, Paul Rudd, Jason Segel, Evan Goldberg, Rihanna, Christopher Mintz-Plasse, Channing Tatum
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