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Depois da Terra (After Earth, 2013)
 
Direção: M. Night Shyamalan
Elenco: Will Smith, Jaden Smith, Sophie Okonedo, Jaden Martin, Zoe Kravitz
 
 
 
 
 
 
 
 
 
"O perigo é real. O medo, uma escolha."




Durante os 100 minutos de duração de Depois da Terra, nova produção de M. Night Shyamalan, algo de muito errado fica evidenciado. E nem falo do descarado nepotismo que cerca a produção (e que é mais comum em Hollywood do que muitos críticos deram a entender à época de seu lançamento). É constrangedor perceber que, se antes poderia-se pensar haver implicância de público e crítica com o cineasta, agora fica evidente que sua carreira atingiu o fundo do poço cinematográfico com uma produção pedestre, onde nada parece funcionar.
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A trama - leia-se esforço fracassado de Will Smith (mais um) em lançar seu filho como astro do cinema - explora um conceito que até surge interessante: mais de mil anos no futuro, a Terra foi evacuado e os humanos habitam agora um novo planeta (criativamente chamado de Nova Prime). Porém, logo descobre-se que não estamos sozinhos na imensidão do espaço e logo alienígenas que jamais tem sua existência na narrativa justificada liberam monstros não aproveitados em Cloverfield - Monstro para nos caçar: "as ursas", criaturas cegas, mas que farejam seres humanos pelo medo. Depois de apresentar esse conceito inicial, logo descobrimos a real intenção do roteiro: a nave de Smith-pai, um general famoso por não sentir medo e ser "imune à ursas", e Smith-filho, um cadete chorão e medroso, cai na Terra e o garoto precisa superar seus medos e ajudar os dois a saírem daquela situação, enquanto claro, ambos tentam redescobrir o amor que sentem um pelo outro, sufocado por uma relação militarizada e pela ausência do pai. Ah, claro, pra criar um pouco de tensão, há também uma ursa solta no planeta que vai aparecer apenas no final para "tentar" (muita enfase nessa palavra) constituir algum clímax.
 
Apoiando-se em um roteiro trôpego, escrito por Shyamalan e Gary Whitta (a partir da história do próprio Will Smith), Depois da Terra em momento algum sugere ter sido escrito pelo mesmo homem que um dia cometeu O Sexto Sentido (ou mesmo Fim dos Tempos). Da exposição excessiva - tudo que acontece na tela é explicado pelo personagem de Will Smith, que ao pegar uma arma não demora em narrar como um vendedor da polishop: "essa é um arma blá, blá, blá, ela vem com todas as vinte cinco configurações disponíveis, ao apertar esse botão ela faz café, no outro pipoca" - aos furos evidentes - o personagem de Jaden Smith tem oxigênio suficiente para 24 horas e perde metade, quanto tempo ele tem de vida? Para Shyamalan e Whitta a resposta aparentemente é três dias, que é o tempo que ele leva para completar sua missão. Isso para não mencionar a baboseira de que todo o planeta Terra evoluiu para matar humanos, mas nenhum ser vivo ataca o mala do Smith-filho - apenas quando são provocados ou querem alimentar os filhotes.
 
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Mas, se em outras produções do indiano ele desviava a atenção de algumas bobagens de sua trama para uma direção inventiva e com escolhas interessantes, aqui ele parece ter ligado um modo de direção que a cantora Luka chamaria de "tô nem aí, tô nem aí", utilizando flashbacks sobre um trauma de pai e filho que é revelado aos poucos, pretendendo um mistério que na verdade se torna óbvio da primeira vez que o filme o visita. Da mesma forma, fica óbvia a intenção do cineasta em provocar sustos no espectador ( relembrando seus tempos de O Sexto Sentido ou Sinais) investindo em cenas como aquela em que a ursa salta de sua camuflagem para atacar o mini-Smith - e apesar de essa estratégia funcionar em um ponto da produção, na maioria das vezes apenas soa como um atestado de que Shyamalan desaprendeu sua arte. 
 
Mas, o que esperar de um diretor que de nome fortemente autoral se tornou sinônimo de cineasta de segunda linha chamado para filmar uma brincadeira de pai e filho? 
 
Não que por estarem brincando em família os Smith's ofereçam desempenhos eficientes - como no ótimo drama À Procura da Felicidade: Will Smith surge com uma não-composição de personagem, que aposta em lábios trêmulos e olhos lacrimejando para deixar evidenciado o turbilhão emocional que aflora no interior do enrijecido militar. Uma atuação patética, que em momento algum convence da maneira esperada. Mas, ao menos percebe-se que Will tenta interpretar, algo que não se aplica ao seu filho. Inexpressivo na maior parte do tempo de projeção, Jaden Smith mostra que aulas de atuação não devem ser uma das pautas das reuniões da família Smith, deixando tudo ainda pior quando tenta soar um ator dramático, quando se entrega à um choro tão falso que Robert Pattinson deve ter rido à beça enquanto comia sua pipoca em algum cinema por aí.
 
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Investindo ainda em uma estrutura episódica em excesso - prejudicada pela montagem que não confere o menor ritmo ao filme - e em um design de produção sem inspiração, que parece saído de uma produção televisiva fracassada da década de 90 e resume-se à apenas mostrar lugar cinzentos sem nenhum elemento interessante, como se isso fosse sinônimo de uma Terra devastada - para ver o que uma equipe competente faz com o mesmo conceito assista Filhos da Esperança - Depois da Terra falha ainda ao pretender-se uma experiência emocionante, como se seus personagens e suas trajetórias tivessem ressoado junto ao espectador. E não, isso não acontece, bastando dizer que ao ver um abraço entre pai e filho, muito adiado pela narrativa, apenas me peguei pensando que preferia que a águia e seus filhotinhos, que aparecem em dado momento da narrativa, protagonizassem aquele momento.
 
Pelo menos com aqueles animais eu me importei.

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